Dark Souls 1 e a incessante busca por desafios

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Dark Souls. Como falar sobre esse jogo sem repetir o que já foi dito antes em diversas análises e reviews por aí ? A melhor opção é abandonar qualquer “imparcialidade” e comentar as experiências maravilhosas que tive jogando esse jogo, e ao mesmo tempo desvendar qual o mistério que faz com que queiramos voltar a jogar ele mesmo depois de zerar, tal qual uma mariposa é atraída pelas CHAMAS.

Lançado inicialmente para Playstation 3 e Xbox 360 em 2011, Dark Souls trata da jornada do “Chosen Undead”, o jogador, por Lordran, a terra dos Lordes, em busca de uma solução a maldição que torna seus habitantes em Undeads, e para isso precisa juntar almas para se tornar mais forte, sucedendo assim Lord Gwyn, o antigo rei de Lordran, desaparecido após tentar reacender a Primeira Chama.

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Furtive Pygmy pega seu fragmento da Primeira Chama.

 

O jogo chama atenção logo no início em que temos uma cutscene que explica a história do mundo até o momento, como o mundo era dominado por uma terrível névoa, árvores gigantescas e poderosos dragões. Com a aparição da Primeira Chama, os lordes originais se apossaram de fragmentos dela, e ela deu origem ao ciclo da vida. Calor e Frio, Vida e Morte e claro, Luz e Trevas. Com a ascenção de Nito, das bruxas de Izalith e suas filhas do caos, Lord Gwyn e seus cavaleiros, além do Furtive Pigmy, tão facilmente esquecido, os dragões foram derrubados de seu poder, e deram início a era do Fogo. Eles só não contavam com o surgimento da maldição dos mortos vivos, os “Undeads”. E é aí onde o jogador entra na história. Aviso de possíveis spoilers a frente.

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Você começa o jogo numa cela no Asilo do Norte, para onde vão os “Hollows”, os undeads que perderam a motivação de viver e que se tornam criaturas insanas. Ajudado por um misterioso cavaleiro, nós recebemos uma chave para escapar desse destino e começar a jornada. Por ter jogado Dark Souls pela primeira apenas em 2015, eu já estava ciente da dificuldade do jogo, o que me induziu a tomar certas atitudes logo no começo. A primeira coisa que noto é uma criatura gigante patrulhando numa sala ao lado. “Será que é o boss? Será que eu vou matar essa coisa ?” Após subir um poço, eu já dei de cara logo com uma bonfire e uma surpresa: Uma enorme porta. Eu já sabia que aquilo era um mau sinal.

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Abrindo a porta você se depara com o chefe do tutorial do jogo. Após morrer pelo menos umas 20 vezes eu só conseguia pensar: “Meu deus, eu não consigo causar dano nesse chefe, esse jogo é realmente difícil.” Até que comentaram comigo: “Você prestou atenção direito no boss?”. Como se um estalo viesse a minha mente nesse momento e eu percebi a besteira que eu estava fazendo. Após você encontrar o NPC que te ajuda a sair da cela novamente, receber o Estus Flask, item de cura do jogo, descobrir a lenda do Chosen Undead e passar do boss do tutorial você chega em Lordran, e é aí onde o jogo realmente começa.

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Saindo do Asilo, a primeira área de Lordran é o confortável Firelink Shrine.

Após a clássica visita ao cemitério – Se você já jogou Dark Souls é altamente provável que você tenha vindo parar aqui primeiro por engano – eu percebi qual era o caminho certo e explorando Undead Burg encontrei o primeiro miserável que atrapalha meu caminho, Taurus Demon. Após uma árdua luta, até eu entender a tática da luta, eu me encontro com um dragão desgraçado cuspidor de fogo, e o primeiro atalho do jogo. Aí foi que o amor ao jogo acendeu, com o perdão do trocadilho, igual uma chama. Eu já tinha ouvido falar de como o level design de Dark Souls era algo de outro mundo mas isso pra mim foi algo que explodiu a cabeça. Eu nunca tinha visto nada do tipo em nenhum jogo. Eu simplesmente dei uma volta e em vez de bonfire nova eu reencontrei a bonfire de antes, e é um negócio que faz todo sentido, porque observando a sala onde está a bonfire você nota uma escada destruída no topo e nota que tem uma passagem para algum lugar.

Eu poderia dizer que é a mesma sensação que você tem jogando Metroid ou os Castlevanias que não são de fase. Você explora a caverna ou uma sala do castelo e nota um outro caminho. Inalcançável, por hora, e aquilo te desperta uma vontade de continuar o jogo e encontrar a passagem pros itens que ainda não se pode pegar. Certa vez ouvi falar que Dark souls podia ser considerado um Metroidvania 3D, e após ter zerado esse jogo eu podia afirmar isso com certeza.

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O primeiro atalho a gente nunca esquece.

Durante essa etapa inicial do jogo, em alguns cantos aparecem os temíveis Black Knights. Como quando se joga pela primeira vez você ainda não domina inteiramente o combate e eles são extremamente fortes, é capaz de você morrer, então fuja se ver um, por outro lado, as recompensas pela vitória são incríveis. Você recebe pedaços de mineral pra reforçar sua arma e às vezes até armas que esses cavaleiros usam, que são muito boas. O que leva ao fator que eu considero o grande responsável em deixar a pessoa completamente entusiasmada e empolgada pra jogar esse jogo: A recompensa e a satisfação da vitória. Não vou entrar no mérito de discutir dificuldade em Dark Souls, isso é bem subjetivo. As armas que você usa, estilo de magia, armaduras, esses fatores definem o quão fácil ou difícil será a luta contra o chefe, porém o jogo inegavelmente é desafiador, lembrando um pouco os jogos da década de 80 e 90 que tinham dificuldades absurdas pra aumentar o tempo de vida do jogo. Recentemente coloquei um amigo meu pra poder jogar Dark Souls pela primeira vez aqui em casa, e os gritos de vitória a cada chefe morto eram um grande momento de felicidade.

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Imagina a felicidade de matar um Black Knight e ele dropa a arma mais forte do jogo?

Os encontros em que o jogo de coloca, iluminação e visibilidade dos inimigos na área, quantidade e posicionamento dos mesmos, estratégias e os estilos de combate dos chefes fazem com que você tenha que ir se adaptando e aprendendo conforme avança no jogo. Nada mais satisfatório que após uma noite inteira agarrado num boss você faz aquela última tentativa e consegue matar ele sem tomar dano porque você já entendeu o comportamento do chefe, e isso sempre deixa aquele gostinho final de quero mais, pois “Matei essa besta gigante agora, o quem vêm a seguir, será um dragão ?”. Essa curiosidade que te move pra frente no jogo.

Ainda no aspecto de aprendizado, na primeira vez que joguei cada área nova eu me sentia desafiado a aprender alguma ferramenta do jogo. Quando usar backstab, qual inimigo que é melhor pra vencer com parry, quando usar escudo ou armas com duas mãos, todo esse leque de ferramentas que o jogo te dá. E é iniciando esse comentário sobre áreas e o que você aprende nelas que eu entro na parte final do texto, falando sobre as “fases” do jogo e os bosses. Como esperado sendo sucessor espiritual do Demon’s Souls, Dark Souls tráz, ainda que algumas claramente inspiradas em seu antecessor, ambientes clássicas de rpgs, tem castelos, catacumbas, florestas, cavernas escuras e até pântanos terríveis.

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Quem nunca tremeu só de ouvir falar desse lugar atire a primeira pedra.

O modo como essas áreas se conectam dentro de si mesmas, pelos atalhos, e com as áreas anteriores e seguintes é tão natural e bem feito, que as transições soam como se você tivesse dando um passeio pelo seu bairro, passando pelas partes com mais verde, como praças e morros, e indo até os centros urbanos super movimentados. Isso soou um pouco confuso, mas eu quis dizer que a arquitetura do jogo é construída de maneira tão brilhante que ao descobrir que tem várias maneiras de chegar em diferentes áreas do jogo, conexões e passagens secretas que quando se para pra analisar friamente fazem sentido mesmo sendo locais completamente diferentes não tem como você não se sentir maravilhado. Seja por um caminho rápido de uma área super difícil para uma mais tranquila, ou por achar uma bonfire secreta estando com zero Estus Flask. E claro, quando se pensa nos locais mais nefastos que você poderia se meter em Dark Souls, você inevitavelmente acaba pensando: “Nossa, quem é que vai ser a coisa que eu vou ter que matar nessa área?”.

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Taurus Demon já começa te ensinando a não ficar zoando os chefes.

A coisa mais legal que eu reparei no primeiro Dark souls quando estava fazendo o NG+ foi parar pra observar as táticas que eu tive que assumir de acordo com a postura dos chefes conforme eu passava pelo jogo e ia matando eles de novo, e o que você aprende, tira e acrescenta de uma luta de um chefe para outro. A primeira coisa que o jogo te ensina é aprender a usar o ambiente a seu favor, e dito isso, não existe “apelação”. O jogo vai te punir forte pelos seus erros, e se você pode macetar o boss você DEVE e vai fazer isso. É um jeito do jogo te dizer que a regra contra os bosses é não ter regras. Quantas histórias você já não ouviu por aí de pessoas que acabaram fazendo o Taurus Demon, que é muito forte no momento que você acha ele no jogo, acabar pulando sozinho da ponte e morrendo ? Mas quando você acha que está nas rédeas da situação e nenhum boss no jogo vai te parar mais, ele joga dois, três, vários bichos na luta do chefe contra você ao mesmo tempo. É meio complicado falar dos bosses nessa franquia sem spoilers, mas você pode esperar todo tipo de coisa. Slimes gigantes, demônios de todos os tipos, formas e tamanhos, cavaleiros com o mais diverso arsenal de equipamentos, aranhas, gigantes, golens, esqueletos e por que não dragões né?

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Não tem como não olhar pra esse bicho e não sentir um frio na espinha.

Acredito que com isso eu toquei em todos os pontos que me fizeram ficar apaixonados por essa esse jogo inicialmente e eventualmente na franquia como um todo. Nem parece que no começo eu falava que era overrated e que era só um joguinho difícil.  Não sei se farei textos comentando os outros jogos, então basicamente esse texto foi uma cartinha de amor à Dark Souls 1, por me fazer gostar de videogames de uma maneira que eu nunca tinha gostado antes, e fica a recomendação de um dos melhores jogos da geração passada e que receberá um remaster em breve para PS4, XBOX One, Steam e Nintendo Switch.

É isso aí. PRAISE THE SUN!!

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3 comentários em “Dark Souls 1 e a incessante busca por desafios

  1. Bela carta de amor ao jogo! E mais do que saudá-lo, vc me fez querer jogar esta obra prima novamente e sentir tudo outra vez, bosses, armas, estus, sombras, mortes, e mortes, e mortes haha
    Parabéns, ficou muito bom mesmo!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Fico feliz demais de saber que você gostou do texto. Acho que a melhor característica do Dark Souls é essa vontade que ele deixa na gente de querer jogar de novo pra testar uma arma nova, um caminho diferente, experimentar magias.

      Seu elogio vale muito pra mim! Obrigado.

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  2. É sempre bom descobrir novas coisas que quebram paradigmas. A sensação depois que você termina é de “será que vou ter essa experiência novamente?”. As dicas boas são muito relativas e, em geral, são apenas dicas de bom entretenimento. Agora, dicas de algo que muda sua visão e percepção são muito valiosas. Dark Souls me parece encaixar bem nessa definição, de completa quebra de paradigmas.

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